#FAMILIASDEANJOS POR LIDIANE MUNIZ


Em Junho de 2016 descobri o positivo, estava sem menstruar mas já tinha acontecido antes, então nem me toquei. Quando descobri já estava no meio do terceiro mês, foi um misto de sentimentos, por que além de estar noiva, ainda morava com minha mãe e como se não bastasse, eu e meu (hoje) esposo estávamos desempregados. Mas Deus proveu tudo da melhor maneira possível. Uma semana depois do positivo, o emprego chegou e lá meu marido está ate hoje.

Na primeira ultra, surpresa, é um menino!!! O primeiro da minha família, já que somos em 4 irmãs. Também o primeiro neto do meu pai, mãe e sogra, foi uma felicidade só! O nome eu já tinha escolhido: Miguel. Estava realizada e com muitas dificuldades. Deus proveu tudo mesmo, minha mãe nos acolheu em sua casa, e íamos ganhando tudo, só compramos berço e comoda o restante, ganhamos tudo. Até o Chá de Bebê. Minha melhor amiga e a mãe dela fizeram, tudo lindo! Acontecia tudo muito bem, saúde ótima, bebê pegando peso muito bem.

No dia 29 de dezembro, fomos fazer uma ultrassom e o médico falou que estava tudo bem, chutou o peso: 2,600 kg e eu estava de 36s 4d. Placenta ótima, sem inchaços e sem dores. Mas na véspera de ano novo de 2016, estava completando 37 semanas naquele dia, fomos dormir logo depois dos fogos e nem fui ver pra não tomar susto.

Acordei as 4h da manhã sentindo dores, fui ao banheiro e nada da dor passar. Acordei meu marido e fomos pra maternidade. Chegamos bem depressa, rapidamente me atenderam, tinham acabado de trocar o plantão. Primeiro a médica fez o toque, meu útero estava fechado e ainda espesso. Então ela pegou aquela maquina de ouvir o coração e começou a mexer para la e para cá. Disse que eu ia para o ultrassom, pois talvez a posição não estivesse ajudando. Me lembrei que na ultra, o médico disse que o Miguel estava de bruços. Chegando na ultrassom, percebi que ela estava com uma cara espantada e eu sem entender nada. Foi quando ela virou para mim e disse a temida frase: "Não sabemos o porquê, mas o coração do seu bebê parou, ele morreu"

 

Ali senti um buraco se abrir... Comecei a chorar, meu marido chorando querendo me acalmar, minha mãe entrou na sala ouvindo meu choro e caiu no choro também. Ali mesmo me deram a papelada pra eu assinar e ir para o pre-parto, antes de subir. Acalmei minha mãe e disse que precisava dela forte. Em menos de 10 minutos todos os meus amigos se mobilizaram e rapidinho chegaram lá. Família e amigos acamparam na recepção. No pré parto me explicaram o que ia acontecer, mas nem me lembro das palavras. Só me lembro de passar a mão na barriga e dizer:

"Mexe filho, mexe pra mamãe!"

Pedia perdão ainda sem entender o que tinha acontecido. Colocaram um remédio para começar a induzir ao parto. Até que um médico enviado por Deus, percebeu minha situação e falou que eu tinha que ir para a cesária e assim fizeram. Entrei naquela sala fria, branca, sozinha, me apagaram e me anestesiaram. Quando sai da sala de cirurgia meu marido estava comigo e começaram a pedir para meus familiares irem subindo aos poucos.

Foram momentos muitos dificieis... No outro dia enterraram meu filho, não tive coragem de vê-lo, só queria saber dos momentos felizes que passei com aquela barriga linda, com ele mexendo o tempo todo...

Fui pra casa e como toda mãe depois de perder o filho, quando chega em casa leva aquele choque de realidade de chegar de colo e útero vazio. Foram momentos horríveis, de muita dor. Parecia que tudo tinha perdido o sentido e só me perguntava como e porque?

Me agarrei na minha fé e comecei a buscar respostas. Fiz um plano de saúde e comecei a fazer exames e consultas e então descobri o útero arqueado. Possível causa do meu querido filho ter ficado sem oxigênio, após a placenta descolar 50% e ter uma hemorragia, que ficou retida no útero.

Hoje está fazendo 10 meses da perda e estou ainda fazendo exames para confirmar o diagnóstico. Pretendo em janeiro me libertar para tentar de novo.

Depois da perda, comecei a procurar sobre perda gestacional na internet, se alguém mais tinha passado por coisas do tipo. Foi então que encontrei os vídeos da Carol, que me trouxeram um conforto e entendimento. Também achei um grupo no facebook, que me ajudou e hoje sou uma das administradoras. Tenho sempre tentado ajudar pessoas que estão passando pelo mesmo, isso me mantém forte para continuar, mesmo com toda dor e com toda vontade de ser mãe de um filho vivo.

Meu anjo sempre estará presente em minha vida, obrigada pelo espaço e parabéns pelo trabalho maravilhoso!

 

Lidiane Muniz, 20 anos 

Nova friburgo/RJ 

Mãe do anjo Miguel 

 

Me envie sua história para o e-mail contato@blogcarololiva.com.br 

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Vamos espalhar a dor, em forma de amor e informação, para que o assunto luto seja melhor visto e vivido pela sociedade!

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Beijos, corações!


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